Cinema Novo, de Novo – de Renato Batata
e Cristiano Feitosa
Atualmente, é de conhecimento de muitas pessoas a discussão levantada por Ivana Bentes sobre o filme “Cidade de Deus” e sua relação com o Cinema Novo. O termo, cunhado por ela, “cosmética da fome” já indica de início o tom do debate em torno dessa questão.
Glauber Rocha escreveu o manifesto “Estética da Fome” e nele assentou diretrizes que foram, de uma certa maneira, projetadas nas telas dos filmes do Cinema Novo. A defesa de um cinema autêntico, comprometido com a elevação da consciência popular, com a cultura brasileira em detrimento do cinema industrial que aqui (não somente) se moldava a partir do modelo norte-americano.
A influência norte-americana no mercado cinematográfico brasileiro é antiga, Paulo Emílio Salles Gomes esmiuçou essa questão no livro “Cinema: trajetória no subdesenvolvimento”. Nele, Paulo Emílio demonstra o ciclo que o cinema brasileiro vive desde seu “nascimento”, um ciclo que alterna breves períodos de florescimento e produção independente e longos ciclos de crise devido à colonização cultural e econômica imposta através dos filmes norte-americanos.
Dito isso, chego à questão que trago com filme-ensaio postado. Ivana Bentes afirmou sobre Cidade de Deus e os filmes que seguem a atual tendência ao espetáculo da violência:
“Essa proposta que produziu clássicos como Deus e o Diabo na Terra do Sol, Vidas Secas, Rio 40 Graus, Os Fuzis, vem sendo deslocada pela incorporação dos temas locais (tráfico, favelas, sertão) a uma estética transnacional, a linguagem pós-MTV, o novo-realismo que tem como base altas descargas de adrenalina, reações por segundo criadas pela montagem, imersão total nas imagens. Ou seja, as mesmas bases do prazer e da eficácia do filme norte-americano de ação onde a violência e seus estímulos sensoriais são quase da ordem do alucinatório, um gozo imperativo e soberano em ver, infligir e sofrer a violência.”
A partir disso, tentei mostrar o aspecto espetacular de “Cidade de Deus” recortando apenas as cenas de tiros e violência. Feitos os cortes e ajustes necessários, alternei cenas de filmes clássicos do Cinema Novo a fim de propor um debate sobre como é a representação da realidade nos diferentes períodos.
O resultado pode ser conferido acima.


