O Fantasma da Liberdade, de Luís Buñuel.
É difícil eleger um filme de destaque na filmografia de Luís Buñuel. Todos os seus filmes, salvo algumas exceções, são instigantes, provocadores e subversivos. Dialética e violentamente materializam o sonho, como escreveu Glauber. É o caso de O Fantasma da Liberdade, de 1974, seu penúltimo filme. Numa sucessão de esquetes sem ligação, a não ser o encontro ou cruzamento dos personagens ao acaso e as situações absurdas que acontecem, Buñuel, como sempre, ataca seus alvos preferidos: a religião, a moral burguesa e os desejos sexuais.
Esse fantasma que ronda o filme todo, mas que nunca aparece ou sequer é mencionado, é o fantasma que escondemos todos os dias dentro de nossos inconscientes. O fantasma que escondemos para nos mantermos escravos de nossos desejos e preservarmos o status quo.
A verdadeira liberdade não existirá enquanto as convenções, os costumes, a religião, etc, nos manterem escravos de nossas vidas. Buñuel ataca violentamente os costumes da sociedade burguesa, os inverte, brinca com as situações, ri das vidas sem propósitos que levamos. O mestre do surrealismo acreditava que a realidade contém a surrealidade, está presente, de forma escondida ou submersa. Basta revelá-la. Não precisamos ir muito longe para nos darmos conta de como nossa sociedade é surreal, num sentido trash. É só ligar a TV e permanecer 5 minutos no sofá para constatar o show de horrores a que estamos submetidos, a que legamos nossa liberdade.
A obra de Buñuel deveria ser parte do currículo escolar, do colegial. Quem sabe conseguiríamos recuperar essa liberdade que renunciamos antes mesmo de nascer.
O trecho que postei é uma das cenas mais interessantes do filme e que ficou bem famosa. Um jantar com “cadeiras privadas”, a legenda está em inglês, mas quem não entender pode pegar pelo contexto.



Não tenho a audácia de comentar, pois sei que Buñuel é o seu forte! hehehe
E eu só vi pouca coisa dele de qualquer forma!
Usei aquele livro que você me passou no meu último post, e descobri que eu tenho ele aqui em casa! Heheh
Essa questão do surreal nos programas de tv, me faz lembrar de dois filmes, que mostram isso: o Réquiem Para Um Sonho do Aronofsky e o Volver do Almodovar