
Sobre a caixa preta.
Na Antiguidade o homem passou do estado pré-histórico a partir da escrita, criou-se então um mundo lógico, racional e organizado através da escrita. No estágio que Flusser chama de pós-histórico, vivemos um processo parecido. Nosso mundo organizado na escrita está se diluindo em um mundo basicamente formado por imagens, milhares de imagens manipuláveis e de acesso instantâneo. O computador substituiu diversos suporte, e sua tela hoje se apresenta como um mosaico, da escrita no papel passamos a armazenar nossos textos em seqüências de números binários, até nossas identidades hoje estão armazenadas em suportes digitais. Essa mudança introduz uma nova forma de pensar e agir sobre o mundo, não é a toa que a transição de uma época com valores mais firmes e rígidos se deu na segunda metade do século XX, o período de maior avanço tecnológico da história.
Flusser propõe que a caixa-preta começa com a fotografia, a partir do momento que se construiu uma máquina automática para registrar a realidade em padrões matemáticos e geométricos. Todas as operações matemáticas e químicas que acontecem antes da foto revelada não importam ao operador da máquina fotográfica. Ele só precisa escolher seu objeto, mirar e apertar o botão. Não precisa ter conhecimento sobre a construção do aparelho e da lógica que o envolve. Nesse ponto ambas as caixas-pretas coincidem, pois as duas, tanto de Flusser, como a caixa-preta “eletrônica” de Batenson revelam um total desconhecimento por parte de seus usuários. Esse desconhecimento é justamente a base de todo o sistema, pois, cada vez mais, estamos condicionados a nos submeter as opções fornecidas pelas máquinas. Ao que já foi determinado, desde a época da revolução industrial, esse processo se acentua de forma vertiginosa. Nossa liberdade criativa está submetida à programação prévia das máquinas e seus softwares.
Inauguro esse blog com o texto que fiz sobre a discussão proposta por Arlindo Machado em “Arte e Mídia” sobre o pensamento de Vilém Flusser no livro “A Filosofia da Caixa Preta – Ensaios para uma futura filosofia da fotografia”. A idéia é postar sem compromisso textos literários, críticas de filmes, ensaios e mais o que der na telha. Hoje é necessário entrar na caixa preta.



Aê Batata,
O Arlindo é foda!
comecei a ler aquele livro dele ,a ilusão especular, você falou que tinha uma cópia, se der me empresta ,porque lá na bliblioteca esse livro está mais concorrido que brigadeiro em festa de pobre! hehehe
abração